Crônica

ZÉ BRASILEIRO RECEBE UM BUQUÊ DE QUIABOS

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Sentada em uma das poltronas da secretaria do gabinete do prefeito, uma senhora moradora do bairro Planalto aguarda a sua vez para ser atendida, enquanto observa o entra e sai acelerado comum no início do expediente das segundas-feiras.
Ela se dirige à secretária e pergunta se é possível falar com o prefeito Zé Brasileiro. A secretária, seguindo os procedimentos de praxe, pergunta-lhe qual o assunto. A senhora com um punhado (moi) de quiabos envolto em um laço impecável de fita vermelha, como se fosse o buquê de uma noiva, lhe diz:
– Quero entregar ao seu Zé, e colocou o moi de quiabos ainda molhado pelo sereno da noite na altura dos olhos da secretária, colhi agora cedo na minha horta, é a única produção por enquanto, e foi o seu Zé Brasileiro quem me doou uma carrada de terra preta quando lhe pedi no início do ano.
Alguns dias depois, sem que eu pedisse, ele me trouxe vários sacos de esterco de gado, agradeci e disse a ele que parte da primeira safra, eu levaria para ele. E hoje, estou aqui “muita agradecida”, para entregar a ele esses quiabos.
A secretária, em silencio, olhou atentamente para aquela humilde senhora e pensou: é a primeira vez que vejo uma pessoa vir ao gabinete entregar o fruto do seu laborioso trabalho ao prefeito. Agora mesmo, várias pessoas aguardam para falar com ele, alguns insatisfeitos porque o cargo do filho ou da nora não saiu, outros em busca de requisição de gasolina, remédio ou gás de cozinha, entre tantos pedidos que deixam o prefeito estupefato com a cara de pau do sujeito.
A secretária acompanhou a senhora toda faceira com seu “buquê de quiabos” ao gabinete do prefeito. José Brasileiro, com sua índole franciscana ao ver a senhora entrar, levantou-se de sua confortável poltrona e caminhou ao seu encontro e deu-lhe um abraço entre risadas e falas afetuosas.
– “E muié, tu é danada mermo, falou que ia fazer a horta, e fez mermo. Ano que vem vou levar outra carrada de terra preta pra tu aumentar a horta e vender verdura. Dá dinheiro muié, horta dá dinheiro”.
A senhora um pouco encabulada, após ouvir o prefeito, entregou-lhe o “buquê de quiabos”, e disse-lhe: seu Zé, vou vender minhas verduras e comprar mantimentos para minha família graças a sua preciosa ajuda, tenho certeza disso. Obrigada e quando sobrar tempo, passe lá em casa para tomar um cafezinho e ver a belezura que ficou a minha horta.
Essa senhora nunca foi ao gabinete do prefeito pedir-lhe um emprego, uma requisição de gás ou coisa parecida. E o Zé Brasileiro através de uma simples carrada de terra preta e alguns sacos de esterco de boi promoveu o empoderamento daquela família.
Zé Brasileiro sabe que a ajuda mais valiosa é aquela que promove e garante a subsistência e o crescimento da pessoa a longo prazo. A senhora retirou-se muita agradecida, enquanto o prefeito enfeitava sua mesa com um buquê de quiabos em plena manhã de uma agitada segunda-feira.

Simon O. dos Santos – Cronista

Nova Mamoré, 13 de agosto de 2025.

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