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A CASA NORTE MERECE MAIS QUE UMA PRECIOSA CRÔNICA
Escrevo crônicas para lembrar, enaltecer ou denunciar fatos, pessoas e, principalmente, resgatar dos escombros do esquecimento, parte da memória dos beradeiros e beradeiras do Berço do Madeira.
Rica e efêmera memória que se esvai sem o devido registro e sem o devido reconhecimento. E eu lhes indago, nas escolas e demais instituições de ensino do Berço do Madeira, consta nas grades curriculares a preciosa informação que o Rio Madeira nasce em Vila Murtinho?
Não, não consta meus caros e minhas caras!
Bom! Mas, deixemos de coisa e cuidemos da vida e dessa preciosa crônica que enaltece mais um grandioso feito da família de um dos pioneiros do Berço do Madeira.
Você meu caro leitor, minha cara leitora! Consegue imaginar a grandeza e a força dos pioneiros do Berço do Madeira?
Vocês conhecem a força do pioneirismo do Raimundo Nonato de Souza, e de sua esposa Tereza de Oliveira Souza, e que perdura até hoje registrada magistralmente no centro do Berço do Madeira?
Pois é meus caros e minas caras! Mas, certamente vocês sabem quem foi Raimundo Lascado, um nordestino da cidade de Jaguaretama (Ceará), que chegou na Colônia Agrícola do IATA em 1958.
Esse homem, de bigode e cabelo sempre alinhados e roupas impecáveis, de passos curtos e ligeiros e voz levemente estridente e alterada, cravou corajosamente seu nome nos anais da História do Berço do Madeira.
Com a família, Raimundo Lascado chega em 1973 às margens da BR-425, onde ocorria um intenso fluxo de pessoas e famílias vindas de várias parte do Brasil em decorrência do surgimento do povoado de Vila Nova.
O pioneiro e comerciante adquire um terreno no centro de Vila Nova e constrói um dos primeiros empreendimentos comerciais do Berço do Madeira, o “ Bar e Mercearia Novo Progresso”.
Vejam meus caros e minhas caras! Observem bem o belo entrelaçamento poético de palavras e frases que registra bem a crença e o vigor daquele momento histórico. “Vila Nova e Novo Progresso”, foi, ou não foi um visionário, esse homem?
Em 1984, no auge do ciclo do ouro no Rio Madeira, Raimundo Lascado resolve alterar o nome de seu empreendimento, e faz um elogio e um justo reconhecimento à sua querida esposa, ao batizar o empreendimento de “T.O. Souza”.
Bonito de se vê, não é?
E assim permanece até 2001, quando resolve mais uma vez alterar o nome do longevo empreendimento para Casa Norte, homenageando o “Norte” que lhe recebeu tão bem.
Bom! Vocês, caros leitores, caras leitoras, sabiam que esse empreendimento comercial é o mais antigo em funcionamento no Berço do Madeira?
Exatamente 51 anos, gravem bem, mais de meio século de existência. Não há outro tão longevo e tão impregnado de histórias e memórias nessas terras do Madeira.
O Bar e Mercearia Novo Progresso, o T. O. Souza e a Casa Norte foram testemunhas centrais dos principais momentos históricos e mudanças que ocorreram no Berço do Madeira.
Esse empreendimento estendeu a mão para o colono do Sidney Girão, para o garimpeiro do Rio Madeira, para o pecuarista, para o madeireiro, e hoje recebe de braços abertos o plantador de soja mecanizada.
Quando você entrar a partir de hoje na Casa Norte, sinta-se também partícipe dessa História.
A propósito, sobre a indagação inicial referente à nascente do Rio Madeira não constar nas grades curriculares das nossas escolas, em breve constará. Aguardem! beradeiros e beradeiras do Berço do Madeira.
Raimundo Lascado faleceu no dia 23 de março de 2020.
Simon O. dos Santos – Cronista.
Fonte: Guajará em Foco